Para
ter um carro blindado, por onde devo começar?
Se sua idéia é adquirir um automóvel zero-quilômetro
para mandar blindar, é preciso escolher a blindadora
com muito cuidado. Uma vez com indicações nas
mãos, pesquise a documentação específica
do estabelecimento – se ele tem certificações
no exército, que materiais são utilizados na
blindagem, se eles são testados e aprovados pelo exército
e se os fornecedores fabricantes estão autorizados
para tanto.
Apenas com todas as formalidades cumpridas à risca você poderá,
ao final do processo, obter o certificado de registro e fazer
seguro do seu veículo. Se no momento em que você pedir
algum documento e o vendedor começar com um "veja
bem...", é um mau sinal.
Uma vez verificada a documentação, vale a pena
visitar as blindadoras pré-selecionadas. Mas não
se contente e nem se impressione com o showroom. Exija uma
visita à oficina. Peças espalhadas pelo chão
e funcionários de bermuda, calça jeans ou chinelos
são um péssimo sinal, pois muita gente compra
gato por lebre e fica feliz, achando que fez o melhor negócio.
Posso
visitar a oficina para saber como meu carro está sendo
blindado?
Não só pode, como deve. Transparência
faz parte do processo. Converse com o responsável,
questione sobre a procedência e a marca dos materiais
empregados (aramida, vidro, etc...). Ao fechar o negócio,
peça
para incluir em contrato a permissão de visitas periódicas
para ver a montagem do veículo verificando assim,
os materiais que estão sendo aplicados realmente.
Quanto pesa uma blindagem? É verdade que faz muita
diferença no desempenho do carro?
Uma blindagem pesa em média
200 kg, mas para ter certeza do peso, peça sempre
as especificações técnicas dos materiais
aplicados e suas quantidades, com isso você terá a
certeza do peso. Dependendo da motorização
do veículo, o peso excessivo faz muita diferença
no desgaste das partes mecânicas, gerando um índice
maior de manutenção.
Dos vários
níveis de blindagem que
existe, qual é o
recomendado para mim?
O nível mais utilizado no mercado é o
nível IIIA. É o que suporta em geral todos
os disparos efetuados por armas de mão – ou
seja, dificilmente será necessário mais do
que isso em uma situação normal de violência
urbana. Há outros níveis menores, mas a relação
custo-benefício não compensa. O nível
IIA, por exemplo, até oferece uma segurança
satisfatória,
mas a diferença de preço é muito pequena
e o veículo perde muito mais depois, no valor de revenda.
Esse nível mais baixo é arriscado em caso de
ataque intensivo, com tiros muito próximos um do outro.
A economia que se faz não vale o risco.
Qual é a garantia que as blindadoras geralmente
dão à blindagem
e aos vidros?
A garantia padrão é de três
anos. Em alguns casos, como o da Steel blindagens, essa garantia
pode ser estendida por até 05 anos. No momento em
que o carro é entregue, o cliente recebe da blindadora
toda a documentação legal, além de um
manual, que é uma espécie de livreto de garantia
que traz desde informações técnicas
da blindagem até instruções para uso.
No
que consiste a blindagem de um veículo?
Resumidamente,
em proteger o automóvel nas grandes extensões
opacas e cuidar para que haja intersecções
nesses espaços, com proteção de "overlaps" que
garantam que nenhum disparo vá atingir os ocupantes
do habitáculo. Na parte opaca, a proteção é feita
pela aramida (que tem como nomes comerciais Kevlar ou Twaron).
Nas transparentes o vidro, por sua vez, é um composto
de polímeros, policarbonato e vidros enquanto os "overlaps" são
de aço. Fala-se muito em "overlaps" como
sendo apenas no espaço entre porta e carroceria, mas é muito
mais do que isso. Ele se refere a qualquer sobreposição,
qualquer emenda, seja nos vidros das portas, no teto ou mesmo
por dentro, entre as proteções de aramida.
O aço que é aplicado deve também ser
de uma especificação técnica e balística,
como o 304L de 3,0mm que tem uma alta concentração
de níquel, proporcionando uma maior elasticidade e
proteção,
que deve ser aplicados somente com buchas de “Revecler”.
(buchas especiais antioxidantes, fixadas no gabarito com
rosca interna
para fixação de parafusos anodizados sem deixá-los
em contato com a lataria, evitando assim, o espanamento precoce
das fixações.
A blindagem padrão sempre deve incluir no
pacote sirene e cinta de rodas?
São itens que se tornaram padrão
na blindagem. Mas você pode optar por não ter
esses itens, caso prefira.
Quanto tempo demora um processo
de blindagem?
De 20 a 35 dias úteis. Caso queira
ver seu automóvel sendo
blindado, o ideal é visitar a blindadora exatamente
na metade do processo.
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Como identifico uma blindagem
bem-feita?
Para começar, não deixe para examiná-la
ao final do processo. O que não faltam no mercado
são casos em que o acabamento é perfeito, mas
com utilização de materiais de blindagem que
deixam muito a desejar. Bons acabamentos podem camuflar blindagens
ruins. Pode parecer estranho ver seu carro todo desmontado.
Mas vai valer à pena e lhe proporcionará maior
segurança.
Um automóvel blindado
fica mais ou menos seguro em caso de colisão?
Em tese, fica mais seguro. Mas não existem testes
conclusivos para validar essa hipótese. A segurança
maior é proporcionada pela preservação
das regiões de deformação do veículo
(o que uma boa blindagem mantém) e pelo reforço
no cockpit.
Que cuidados devo ter para conservar a blindagem, em especial
os vidros?
O tempo não costuma comprometer a blindagem
em sua área opaca. Mas, no caso dos vidros, é preciso
tomar cuidado em relação à conservação.
Eles não devem ser limpos por dentro com derivados
de petróleo, pois esse tipo de material pode estragá-los.
Podem ocorrer ainda trincas nos vidros, causadas por três
fatores: impacto (de uma pedra, por exemplo), choque térmico
(levar a um lava - rápido um veículo exposto
muito tempo ao sol) e torção na carroceria
(é preciso ter cuidado com lombadas e valetas). Com
o tempo, o vidro também delamina (aparecem bolhas
de ar esbranquiçadas). Se isso começar a ocorrer,
vale levar à blindadora para verificar se não
houve perda de eficácia na blindagem.
É melhor blindar um carro novo, ou já adquirir
um veículo usado blindado?
A resposta depende da condição econômica.
Se você estiver se apertando demais para adquirir um
blindado okm, deve pesquisar no mercado de seminovos, pois
há excelentes opções, com relação
ao custo-benefício e bastante interessantes. Essa
situação só é complicada, quando
optar por um veículo usado, pois você não
terá a possibilidade de escolher os materiais aplicados
e ter que acabar confiando no vendedor e para isso, antes
da compra você deverá solicitar ao vendedor,
que seja realizado um laudo técnico da blindagem que
já existe no veículo, por uma empresa especializada
e só assim você saberá se estará realmente
protegido.
Procure comprar um modelo com câmbio automático,
que não traz o risco de o carro morrer em uma fuga.
Os vidros elétricos têm de ser testados cuidadosamente,
pois como os vidros são bem mais pesados, eles podem
ter parado de funcionar. Veja nas películas dos vidros,
se tem algum descascado. Trincas não podem passar
de um centímetro.
A suspensão de um carro blindado sempre sofre bem
mais que a de um carro normal, pois a blindagem chega a pesar
200 quilos. Veja se tanto os amortecedores e molas quanto
o sistema de freios estão bem. Uma pessoa que anda
de carro blindado quer os vidros fechados o tempo todo. Então
o ar-condicionado também tem de estar funcionando
corretamente.
Dê preferência para os carros blindados que
tenham aros metálicos dentro dos pneus, para poder
rodar bastante mesmo com eles furados. Veja se o carro tem
uma tira de aço que fica no vão entre a porta
e o batente. Essa tira é chamada de overlap ou frame.
Como o carro é todo desmontado para a blindagem, pode
haver peças de acabamento soltas. Um test-drive pode
denunciar ruídos de peças mal colocadas. Confira
se as borrachas de vedação estão perfeitas,
para evitar futuras infiltrações.
Entenda os documentos obrigatórios das blindadoras:
Não basta que a empresa blindadora tenha o CR (Certificado
de Registro) no Exército, sem o qual a blindadora
não pode atuar no segmento. A empresa precisa ter
uma autorização específica para cada
veículo a ser blindado. Esse requerimento deve ser
feito em formulário próprio e enviado à Região
Militar (R.M.) em que a blindadora está registrada.
Esse procedimento visa evitar que carros blindados sejam
utilizados por pessoas não-idôneas.
Para blindar um carro, é necessário apresentar
RG, CPF, comprovante de residência, CRLV (Certifi¬cado
de Registro e Licenciamento de Veículo), certidões
negativas criminais da Justiça Federal, Estadual e
Militar dos últimos cinco anos, e Atestado de Antecedentes
Criminais, emitido pela Polícia Civil do Estado. Se
o carro for de empresa, também será preciso
apresentar CNPJ e Certidão de Antecedentes dos distribuidores
da Justiça Federal, Estadual e Militar de cada um
dos sócios administradores ou gerentes, das Comar¬cas
onde tenham sido domiciliados nos últimos cinco anos.
A Região Militar autoriza a blindagem do veículo
e faz seu cadastramento no sistema de controle do Exército.
A DFPC (Diretoria de Fiscalização de Produtos
Controlados) então repassa os dados cadastrais ao
Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), em Brasília,
que faz o registro junto aos órgãos estaduais
de trânsito.
Uma cópia do Termo de Responsabilidade da blinda¬dora,
com requerimento do proprietário, mais cópias
da autorização de blindagem e do certificado
de licenciamento, serão enviadas à Região
Militar, que emitirá uma carteira de autorização
com todos os dados do veículo e proprietário. |